amo te meu amor

sem nada...

Tenho um coração a estoirar me o peito,
Estou gelada pelo frio e pela chuva miudinha
Que caí nesta tarde cinzenta e gelada de Março.
As pessoas passam mas não vejo nada.
O motor dos carros.
É um zumbido perdido e distante no meu cérebro desligado,
Não tinha mãos,
Nem corpo,
Nem pés, nem rosto,
Só olhos para chorar a tua ausência
Jogo tudo para traz das costas
E junto vai a minha alma e com ela o meu amor,
Os meus sonhos a minha vida e aquela sensação de perda irreparável
De vazio imenso e profundo de raiva contida
Por ter perdido tudo o que era importante e a determinação
De nunca mais voltar a cometer os mesmos erros
Nunca mais voltar a amar um homem.
Não tenho nada,
Estou vazia, perdida esquecida de mim mesma,
Há demasiado tempo mergulhada
Nesta não existência confortável e doce
Da qual não quero abdicar.
Todos dias te escrevem cartas de gaveta
Que nunca conhecerão envelope nem destinatário
Escrevo o que me vai no coração
E o coração tem sempre voz e coisas para dizer
O mais provável é o meu destinatário nunca saber da existência das cartas.
Se um dia acordar e não te tiver não me importo
Quero viver cada momento como se fosse eterno,
Adiar o futuro, esquecer que amanha é outro dia,
Quer ter te em meus braços durante o tempo que quiseres
Depois deixar te voar deixar que o coração parta pa sempre
E não mais regresse e ai sim poderei chorar o meu amor falhado
A minha paixão desperdiçada
O medo de ficar só outra vez
Entregue a mim própria a essa imensa solidão
Que é a das almas que buscam em vão uma companhia…

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